Energia solar pode não ser viável em estádios brasileiros – Portal da Copa – 02/07

Não é pela falta de sol, recurso que o Brasil tem de sobra. O maior obstáculo para a implantação de coberturas geradoras de energia nos estádios da Copa do Mundo de 2014 envolve o custo de instalação e manutenção dos painéis fotovoltaicos, ainda caros para os padrões brasileiros de investimento. O país conta com uma grande capacidade instalada de usinas hidrelétricas, também energia limpa, explica o engenheiro arquiteto Ralf Amman, da empresa alemã GMP. “Ainda estamos estudando o assunto para verificar a viabilidade, mas considerando o custo relativamente baixo da energia no Brasil, será bem difícil convencer os investidores sobre essa alternativa”, disse Amman.

Se na ponta do lápis a conta não fecha a favor dos fotovoltaicos, é muito provável que a tecnologia seja aplicada como fator de educação ambiental, acreditam os especialistas, já que a Copa do Mundo será o centro das atenções mundiais em 2014. O primeiro passo para transformar a Copa em símbolo de sustentabilidade ambiental já foi dado. Um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com o Instituto Ideal prevê a transformação dos estádios da Copa em geradores de energia solar. Além de criar arenas autossustentáveis, a energia gerada poderia ser revendida ao sistema elétrico em boa parte dos casos (veja o infográfico).

Apesar de sintonizada com as principais exigências da sociedade, a ideia pode encontrar alguns entraves para sua aplicação. Batizado de Estádios Solares, o projeto tem como grande desafio atrair investidores privados ou públicos, já que seu custo de implantação e manutenção supera o da energia convencional.

O pesquisador Ricardo Rüther, doutor do Laboratório de Energia Solar (LABSolar) da UFSC, é um dos entusiastas do projeto. Ele destaca o potencial solar do Brasil – superior em 40% ao da Alemanha, onde foi disputada a Copa 2006 – e acredita que o Mundial brasileiro deve ser aproveitado para promover formas limpas de geração de energia.

Custos caem 5% ao ano
“Sem dúvida é mais barato comprar energia do sistema convencional, mas devemos tomar a Copa do Mundo como vitrine. Imagine a visibilidade que um projeto desses traria ao Brasil”, afirma Rüther. Para o pesquisador, as autoridades brasileiras têm que adotar o projeto como “política de Estado”. Quanto aos custos, afirma que estão caindo 5% ao ano, o que tornaria o sistema viável logo após a Copa 2014.

Um exemplo de implantação bem sucedida do sistema é o Stade de Suisse Wankdorf, em Berna, capital da Suíça. Com 10.738 células solares, o estádio gera 1,134 GWh (gigawatts-hora) de energia por ano, segundo o LABSolar.

No Brasil, estudos preliminares desenvolvidos pelo LABSolar em parceria com o Instituto Ideal para quatro estádios da Copa 2014 (Maracanã, Beira-Rio, Mineirão e Fonte Nova) mostram que o investimento necessário para a instalação das placas em cada uma das estruturas varia de R$ 18 milhões a R$ 42 milhões. A energia gerada e não aproveitada pelos estádios poderia ser revendida ao sistema de distribuição, diz o pesquisador.

Mas, este não é o caso do Maracanã, por exemplo, o estádio mais cotado para receber a final da Copa 2014. O estudo do LABSolar projeta a instalação de placas fotovoltaicas numa superfície de 23 mil metros quadrados na cobertura do estádio. Empregando a tecnologia mais avançada, a de placas de silício policristalino, o Maracanã seria capaz de gerar 72% da energia que consome. Ao custo de 43 milhões de reais, o maior estádio do Brasil produziria 4.806 MWh por ano, enquanto seu  consumo foi de 6.651 MWh, em 2007, e tende a crescer com a realização da Copa.

http://www.copa2014.org.br/noticias/668/ENERGIA+SOLAR+PODE+NAO+SER+VIAVEL+EM+ESTADIOS+BRASILEIROS.html

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Uma das bandeiras levantada para a disputa da Copa do Mundo no Brasil é a de uma “Copa Verde”, sustentável e com preocupação ecológica. Essa questão dos estádios solares precisa ser muito bem debatida e analisada.

A matéria do Portal da Copa mostra que nem sempre pode ser negócio para quem vai fazer a obra. Claro que devemos pensar no futuro, no meio-ambiente e não só no custo na ponta do lápis.

Por outro lado, quando falamos em ter um estádio sustentável, tem que pensar que ele também precisa ser financeiramente rentável. A matéria fala que o custo para quem fizer essa instalação de energia solar pode chegar a R$ 42 milhões. Esse valor é superior a 10% do valor da reforma prevista para o Morumbi. Como você vai “obrigar” um investidor privado a investir 10% mais em um sistema que terá energia elétrica com custo superior ao que ele compra normalmente?

Além disso, já ouvi de arquitetos que um dos problemas para o sistema de energia solar é o aumento do peso das estruturas do teto. Sem contar que tem muita gente pensando em cobertura totalmente transparente, ou até retrátil (o caso de Brasília).

Pensar no meio-ambiente é fundamental. Então, caso seja uma medida que o governo queira que seja adotada pelos estádios, é preciso dar incentivos, como isenções de todos os impostos desse sistema. E até mesmo a redução fiscal para os estádios que deixarem de comprar parte da energia das distribuidoras.

Uma resposta

  1. Gostei muito da reportagem! Gostaria de saber como se fazer uma copa ecologica dentro do estadio?

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