Sustentável para quem?

sustentabilidade

Recentemente, escrevi falando sobre a sustentabilidade dos estádios. Na verdade, na ocasião eu comentei sobre a inviabilidade do uso de tecnologias para a captação de energia solar nos estádios brasileiros.

Na terça-feira (7), ao deparar com mais notícias defendendo que a Copa de 2014 deveria ter a bandeira da “Copa da Sustentabilidade”. Resolvi pesquisar um pouco sobre o conceito. É claro que, principalmente no caso de novos empreendimentos, sejam eles estádios, shoppings, condomínios residenciais ou indústrias, devem buscar sempre o lado ecológico.

Só que o conceito de sustentabilidade vai além do ecológico. Um dos pontos principais é ser economicamente viável. Ai eu pergunto: Será economicamente viável a construção de tantos novos estádios no país?

Eu acho que não. Apesar de estarmos no país do futebol, não podemos dizer que o esporte é desenvolvido em todas as regiões e estados. Em alguns lugares não existe nem times na elite do futebol, com as maiores torcidas destes estados sendo as equipes dos grandes centros. Acreditar que um estádio vai fazer aumentar o investimento em equipes da região é devaneio.

Só para ajudar a ilustrar o que estou dizendo. O Pacaembu, estádio da prefeitura de São Paulo, utilizado pelo Corinthians, dá prejuízo. Para jogar lá, a equipe paga um aluguel aproximado de 50 mil reais, em cada partida.

Para jogar no Mineirão, Cruzeiro e Atlético-MG pagam R$ 5 mil por jogo. Será que essa taxa será a mesma após o governo local investir quase R$ 800 milhões nas obras? E como os custos de manutenção do estádio serão mantidos? Com o dinheiro dos contribuintes? Isso é ser sustentável? Repare que estou dando um exemplo do aluguel de um jogo em um estado com duas grandes equipes. Como seria isso em outros estados?

No Maracanã não é muito diferente não. Lá, pelo menos, o aluguel é mais caro. Dá mais ou menos uns 15% da renda bruta dos jogos que vão para os cofres da Suderj. Mas, porque será que Flamengo e Fluminense não aceitaram ficar com a gestão do estádio? Claro que é porque dá prejuízo.

Em Fortaleza, onde os dois principais times estão na Série B e jogam no Castelão, o aluguel do campo é de 10% da renda bruta. Mesma taxa cobrada para jogar no Machadão em Natal. Agora, um estádio novo, terá mais custos. Ou aumenta o valor para se jogar lá, ou aumentam os preços dos ingressos. Isso para tornar o estádio viável.

Mas o que vai acontecer com Recife, por exemplo? Os três grandes do estado têm um estádio próprio. O que vai fazer com que eles mandaem seus jogos em uma cidade vizinha, tendo de pagar um aluguel do campo, se podem jogar em sua casa, fazendo as conhecidas pressões nos adversários? Isso sem falar em Manaus, que não tem representante nem na série C do Brasileiro…

A entrevista do arquiteto do estádio de Manaus no Portal da Copa mostra bem o que é sustentabilidade.  Em outras palavras ele disse “meu trabalho é fazer o estádio, o que vão fazer dele depois não é problema meu”.

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