Matérias da Folha de 7/8

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A edição desta sexta-feira (7) da Folha de S. Paulo traz mais ou menos as informações parecidas com o que tinha no O Estado de S. Paulo da véspera. Uma grande diferença é que o próprio BNDES já teria falado com as cidades para que apresentem projetos mais modestos, que seriam mais viáveis e que assim o banco poderia financiar.

A preocupação com essa situação também é da CBF, que considera alguns projetos muito caros. Uma das notícias da Folha fala justamente sobre a necessidade de ter cobertura nos estádios, já que somente é exigida para as partidas de abertura e encerramento da Copa do Mundo.

Com as cidades aceitando rever seus projetos, podem ter certeza de que o Morumbi acabrá sendo um dos melhores. É muito fácil fazer um mega-projeto em 3D, usando computação gráfica e jogando o preço lá no chão. Isso impressiona e faz parecer que um é melhor que o outro. Mas a realidade é diferente.

Sobre a cobertura dos estádios, ela deveria ser exigida mais para os estados onde fará mais frio durante a Copa do Mundo, como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O fato que cobrir o estádio, além de ser caro tanto para obra quanto para a manutenção gera uma série de gastos adicionais. Um dos problemas é diminuir a incidência de sol, que prejudica consideravelmente o gramado. Outro problema que pode aparecer é o menor aproveitamento da luz natural, fazendo necessário o uso de iluminação mais cedo do que sem a cobertura. Seguem as matérias da Folha:

CBF, agora, admite Copa mais barata

Governo federal e BNDES tentam reverter crescimento do custo dos estádios, que, em média, já ultrapassa R$ 400 mi

Estados vão fazer revisão de projetos e podem excluir coberturas e acessórios, mas revelam temor de não atender exigências da Fifa

Os cofres públicos estão abertos para as reformas de estádios que abrigarão a Copa de 2014. Como consequência, o governo federal e o BNDES iniciaram pressões por reduções de custos nos projetos dos Estados. Tentam inverter uma tendência de alta nos gastos.

A CBF decidiu corroborar a política de diminuir essas despesas. Fez isso após seu presidente, Ricardo Teixeira, mudar seu discurso e prever dinheiro público para as arenas.

Até agora, o orçamento só cresceu. A estimativa inicial da CBF, exposta em documento entregue à Fifa em 2007, era de US$ 1,1 bilhão (R$ 2 bilhões) para gastos com arenas. O custo médio seria de R$ 167 milhões.

Esse valor quase dobrou quando as 17 cidades candidatas anunciaram seus orçamentos e teve novo incremento quando foram escolhidas as 12 sedes. Agora, o custo médio já ultrapassa R$ 400 milhões.

Nesta semana, técnicos do BNDES conversaram com comitês das cidades-sedes sobre possível linha de financiamento para as reformas das praças esportivas. Aos projetos mais caros sugeriram reduções.

“O BNDES apresentou uma possibilidade de redução dos custos. Claro que está de olho na viabilidade. O problema é como fazer. Nossas adequações do estádio foram feitas de acordo com a Fifa”, afirmou o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Nilton Vasconcelos.

O projeto de reforma da Fonte Nova custa R$ 550 milhões, um acréscimo de R$ 150 milhões sobre o orçamento na época da candidatura.

Representantes do Amazonas confirmam o pedido do BNDES de redução de custo do projeto para o Vivaldão, que pode chegar a R$ 600 milhões.

“A meta é reduzir. O Estado terá que fazer um aporte inicial para cobrir um ano de obras. Depois, queremos participação da iniciativa privada”, contou o secretário estadual de Planejamento, Denis Minev.

O Estado já pensa em excluir a cobertura do Vivaldão e reformas viárias em seu entorno. A meta é aproximar o custo a R$ 400 milhões, aparentemente o limite almejado pelo governo para estádios “básicos”.

O projeto do Castelão, nesse patamar, não sofreu pedido de diminuição na reunião com o banco. No caso do Ceará, contribuiu o fato de o BNDES preferir financiar empresas privadas -o Estado quer uma PPP (parceria público-privada).

“Mas o Ceará está em um estágio diferente: não temos nível de endividamento alto. Então, podemos pegar o financiamento [do BNDES] se for necessário”, disse o secretário estadual de Esporte, Ferrucio Feitosa.

Oficialmente, a assessoria do BNDES não comentou as reuniões com os Estados, pois a linha de crédito ainda está em discussão. Mas os pedidos de cortes de custo e a preferência pela iniciativa privada são práticas comuns do banco.

Já o Ministério do Esporte disse ter orientado os Estados para reduções. “Precisamos rever coisas como cobertura e estádios com capacidade superior a 50 mil pessoas. A Fifa só exige isso para os jogos de abertura e encerramento”, declarou o ministro Orlando Silva Júnior à Folha. “O BNDES pode exigir que exista um investidor privado, e não só sugerir.”

A CBF, por meio da assessoria, disse que “é até um desejo da Fifa que as despesas diminuam”, mas ressaltou que não pode interferir nos projetos.

Requintada e cara, cobertura vira maior alvo

A função principal delas é evitar que os torcedores se molhem em dias de chuva. Mas, com projetos rebuscados e caros, viraram alvo preferencial de quem defende corte nos custos dos estádios para a Copa de 2014.
As coberturas das arenas -todos os 12 estádios escolhidos para o Mundial projetaram uma- estão na berlinda. Não sem motivos.

Grande cartão-postal dos projetos dos arquitetos na construção de estádios, elas podem representar 20% do custo total da obra. É o caso, por exemplo, da Fonte Nova.

A cobertura do estádio baiano está orçada em R$ 100 milhões, ou quase o dobro do que custou o novo estádio soteropolitano do Pituaçu, que vai abrigar jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias em setembro.

Ela é inspirada no estádio de Hannover, uma das sedes da Copa da Alemanha. No projeto, segundo a descrição de um dos autores, um “sistema de raios e anéis semelhantes, recoberto por uma membrana tensionada de cor branca, leve”.

No Morumbi, a cobertura pode representar praticamente a metade do custo total da sua remodelação.

Mais rebuscado ainda é o plano para a cobertura do novo Vivaldão, em Manaus.

Segundo seus projetistas, a cobertura “combina linhas do trançado de um cesto de palha com o de peles de cobras e lagartos amazônicos”.

A preocupação com a cobertura é tanta que elas podem até receber projetos separados do resto do estádio, como no caso de Brasília, que repassou essa missão a um renomado escritório de arquitetura alemão.

Além dos custos diretos de suas edificações, as coberturas podem causar outros gastos. É o caso do Maracanã.

O provável palco da final do Mundial planeja a instalação de placas para absorver energia solar numa superfície de 23 mil metros quadrados na cobertura do estádio.

Só as placas podem custar quase R$ 50 milhões, e não existe a certeza de que esse valor possa ser recuperado com a economia no uso de energia elétrica. (PC E RM)

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