Clubes rejeitam estádios da Copa-14 – Folha – 27/8

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Muitas vezes falei aqui no blog sobre a viabilidade dos estádios brasileiros em estados com pouca tradição no futebol. Por exemplo, em jogos da Copa do Brasil e de Campeonatos Brasileiros (competições oficiais da CBF), as equipes do Mato Grosso levaram cerca de 150 mil torcedores em nos últimos seis anos. Como será que um novo estádio pode se tornar viável, sendo que os maiores públicos foram de partidas contra Palmeiras e Fluminense?

Nesta quinta-feira, a Folha de S. Paulo traz uma matéria mais ou menos nessa linha. Na verdade a reportagem fala da dificuldade que os governos estaduais vão ter para conseguir um clube para assumir os estádios que serão construídos. E isso com dois estados tradicionais de nosso futebol: Bahia e Pernambuco. O tema é discutido também em Brasília.

Em Recife, por Santa Cruz, Náutico e Sport têm seus estádios e já não precisam pagar para jogar lá. Além disso, os clubes estão acostumados a transformar os campos em um alçapão para jogos decisivos.

Situação parecida acontece na Bahia. O Vitória tem o Barradão, que já dá lucro. O Bahia tem mandado seus jogos em Pituaçu e quer continuar lá. O governo quer forçar que os jogos sejam na Fonte Nova e até faz o edital prevendo 56 jogos ao ano no estádio que será reformado.

Em Brasília, os dois principais clubes já têm um local próprio para seus jogos. Lá também o público é baixo, sendo que os clássicos locais levam 10 mil pessoas. Jogos contra os grandes, somente em Copa do Brasil. Ou quando um dos grandes estiver na Segunda Divisão. Claro, há sempre a chance de um deles subir. Mas, a capacidade do estádio de Brasília é para 70 mil.

Outro grande absurdo. O estudo de projeção de demanda do estádio de Recife prevê receitas de até R$ 86 milhões ao ano com camarotes, cadeiras e pacote de jogos. Só para ter uma idéia, o São Paulo deve fazer com que o Morumbi gere receitas de R$ 20 milhões em 2009. Isso considerando camarotes, lojas e locações para shows e eventos.

Confira a matéria da Folha de S. Paulo

Clubes rejeitam estádios da Copa-14

Para fugir dos vexames de campos vazios e rombo nas contas, governos tentam convencer os times a abraçar projetos

Cartolas de Pernambuco, Bahia e Distrito Federal preferem seus “alçapões” a arenas que serão erguidas para Mundial

De um lado, governos estaduais contando com jogos de clubes nos estádios que serão erguidos para a Copa de 2014. Do outro, os clubes batendo o pé, alegando que é mais vantajoso continuar em suas arenas. No meio, o risco do surgimento de elefantes brancos país afora.

Já ocorre em pelo menos três sedes escolhidas para o Mundial: Brasília, Recife e Salvador.

As cidades nordestinas já lançaram cálculos prevendo que o retorno financeiro das obras só acontecerá se os clubes trocarem suas tradicionais casas pelas novas arenas.
Os planos dos governos deixariam em segundo plano sete estádios, com capacidade para cerca de 220 mil torcedores.

Pernambuco lançou consulta pública para a PPP (parceria público-privada) da sua arena, orçada em R$ 452 milhões.

No documento, o governo diz que uma das premissas “para o equilíbrio financeiro” do estádio será que “os três grandes clubes da capital do Estado [Náutico, Santa Cruz e Sport] deverão jogar seus melhores jogos na Arena, totalizando o número de 60 jogos por ano”.

“Não será missão do governo convencer os clubes a jogarem no estádio, e sim de quem ganhar a concessão”, diz Ricardo Leitão, secretário da Casa Civil do governo pernambucano.
Uma tarefa complicada.

“O Sport é contra. Como é que vou levar para lá meus 149 camarotes, 8.400 cadeiras, 11 mil sócios? Não vou jogar em um estádio que não seja nosso”, afirma Sílvio Guimarães, o presidente do clube rubro-negro.

“Se ganharmos só com a venda de ingressos, não vamos jogar lá. As pessoas vão ver as partidas pelo clube, não pelo estádio”, declara Maurício Cardoso, o presidente do Náutico.
Situação similar ocorre em Salvador. O edital da PPP para a reconstrução da Fonte Nova prevê 56 jogos de Bahia e Vitória em um ano. Cada clube faria metade das partidas. Em tese.

“É uma previsão para fechar a conta do estádio. Os jogos dos clubes são essenciais na operação”, afirma o secretário de Trabalho, Emprego e Cidadania da Bahia, Nilton Vasconcelos, que deixará a negociação a cargo da empresa vencedora.

Pelo edital, quanto menor for a lucratividade da Fonte Nova, maiores serão os desembolsos do Estado para o vencedor da licitação -a reforma está orçada em R$ 550 milhões.

Mas os clubes também pensam no bolso e rejeitam a possibilidade. O Vitória, por exemplo, tem o estádio Barradão, que é superavitário e pode receber 35 mil pagantes. “É um absurdo. Como um governo põe no edital que temos de jogar lá?”, afirma Jorge Sampaio, vice-presidente do Vitória.
O Bahia tem jogado no estádio do Pituaçu, que é do Estado. A intenção do governo é usá-lo para esportes amadores e induzir o clube a ir para a Fonte Nova. Mas a agremiação pretende obter a concessão do Pituaçu.

No Distrito Federal, o governo não incluirá na licitação nenhuma previsão de Gama e Brasiliense atuarem no reformado Mané Garrincha, que receberá 70 mil pessoas. Mesmo assim, já imagina dificuldades.

“O problema é que os clubes dizem que o Mané Garrincha é neutro e que seus estádios são caldeirões”, diz o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus.

O Estado já bancou a reforma do Bezerrão (R$ 55 milhões), que ficou com o Gama. O Brasiliense atua na sua casa, a Boca do Jacaré, que deverá receber dinheiro público para ser CT na Copa. Os clássicos locais atraem cerca de 10 mil pessoas.

PERNAMBUCO PREVÊ QUE ARENA PODE FATURAR ATÉ R$ 86 MI/ANO

No estudo de projeção de demanda do estádio para 2014, Pernambuco estima que o campo pode render com camarotes, cadeiras e pacotes de jogos um valor muito acima do mercado brasileiro. Um dos estádios mais rentáveis do país, o Morumbi faturou R$ 8,9 milhões com camarotes em 2008.

Uma resposta

  1. Nenhum estádio público é auto-sustentável, todos estão em estado precário, e os clubes que os exploram, vivem de sugar e roubar o dinheiro público para a sua manutenção. Todos os clubes que não possuem estádio próprio, é porque seus torcedores são um bando de frouxos.
    O estádio da Fonte Nova caiu por falta de manutenção, no dia 22/11/2007 foram presos o presidente do TCE da Bahia, o ex-presidente do Bahia Esporte Clube, a procuradora-geral da Universidade Federal da Bahia e mais 13 empresários por fraude em licitações, lesando o estado da Bahia em mais de 600 milhões R$. Dez dias depois, no dia 02/12/2007, o estádio da Fonte Nova caiu parte da arquibancada, matando 7 pessoas, por falta de manutenção, o curioso é que aqui no estado de São Paulo temos um conselheiro do TCE que esteve na copa da França em 1998, com tudo pago pela ALSTOM, ligado a clube de futebol sem estádio, e que em 2001 e 2007 favoreceu a ALSTOM em contratos com aprovações relâmpagos em mais de R$ 600 milhões também, deve ser mera coincidência o seu empenho para a construção de mais um estádio público em SP, mas o que quero dizer é que não há, e o histórico comprova, que absolutamente nehum estádio público é auto-sustentável, sob nenuma hipótese, e que deveria ser proibido haver estádios de futebol de origem pública, municipal, estadual ou federal, e obrigar os clubes que os exploram a reformá-los e mantê-los, ou construí-los, esta é a única solução razoável para acabar esta farra com nosso dinheiro.

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